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Este número da Intersaberes propõe para o debate temáticas instigantes sobre a educação na modalidade a distância, políticas públicas e condições de trabalho nas instituições de ensino, contribuindo para a divulgação de resultados de pesquisas e reflexões na área da educação.
A definição da educação a distância como tema da revista oportuniza um espaço permanente para a constituição desta temática como campo de conhecimento. Se considerarmos os pressupostos bourdesianos, campos são "espaços estruturados de posições (ou de postos) cujas propriedades dependem das posições nestes espaços, podendo ser analisadas independentemente das características de seus ocupantes (em parte determinadas por elas)", (BOURDIEU,1983, p. 89). Pode-se entender que na composição de um campo de conhecimento é preciso situar o objeto de disputa, no caso, como se constitui o campo da educação a distância no sistema educacional brasileiro. Desde os anos de 2000 intensifica-se esta modalidade de ensino devido à expansão do ensino superior e, especialmente, na educação de jovens e adultos, na educação básica.
Para Bourdieu (1983, p. 90): “A estrutura do campo é um estado da relação de força entre os agentes ou as instituições engajadas na luta ou, se preferirmos, da distribuição do capital específico que, acumulado no curso das lutas anteriores, orienta as estratégias ulteriores”. Uma nova configuração no campo o ensino, quer nos elementos de organização institucional, quer nos elementos da composição didática, quer na própria definição do objeto de conhecimento, coloca em jogo novos fatos em disputa na reordenação do campo educacional, e em decorrência no campo social e cultural. Isto ocorre, como afirma o autor, devido a “esta estrutura, que está na origem das estratégias destinadas a transformá-la, também está sempre em jogo: as lutas no campo têm por objeto o monopólio da violência legítima (autoridade específica), característica do campo considerado, isto é, em definitivo, a conservação ou a subversão da estrutura da distribuição do capital específico”.
Deste modo, os artigos propostos focalizam aspectos didáticos nesta modalidade de ensino, como os textos sobre metodologias e recursos disponíveis no ambiente virtual das disciplinas semipresenciais da graduação feito por Leda Lísia Franciosi Portal, Elaine Turk Faria e Carolina Maciel Farias, vinculadas à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; reflexões e apontamentos sobre o papel da aula na educação à distância proposto por Inge Suhr e Flávia Ribeiro, professoras da Faculdade Internacional de Curitiba; o ensino de artes na educação à distância: reflexões, benefícios e limites escrito por Marcella Barroso, da Universidade Católica de Brasília. As questões sobre as relações entre sociedade, tecnologia e educação é o tema proposto por Marcelo Felix Tura, Coordenador Geral da EAD na Faculdade São Luis, de Jaboticabal, SP; o espaço para a democratização do ensino por meio da educação a distância, elaborado por Kelly Nicolaio e Luciana Miguel, vinculadas a Faculdade Internacional de Curitiba.
Estes artigos resultantes de pesquisas, ensaio e análises de experiências ao abordarem a educação a distância destacam contribuições, problemas e limites desta modalidade de ensino.
O primeiro artigo focaliza o papel das tecnologias digitais e educacionais, quanto à aplicação de conceitos, teorias e metodologias mais interativas e dinâmicas estão sendo utilizadas na Educação a Distância (EAD) evidenciando as mudanças do foco do processo de ensinar/aprender, em cursos e disciplinas totalmente virtuais e em cursos e disciplinas semipresenciais. Neste sentido, as autoras destacam que o aluno passa a ser o centro das atenções, realizando a auto-aprendizagem. As autoras afirmam que esta mudança no ensino superior é decorrente de orientações legais preconizadas na Portaria MEC 2.253/01 reformulada pela Portaria MEC 4.059/04 - Brasil, que sugere “a oferta de disciplinas integrantes do currículo [do ensino superior] que utilizem modalidade semipresencial”. Assim, as universidades passaram a investigar novas metodologias para utilizar recursos tecnológicos com aplicação didático-pedagógica, em programas como Moodle, permitindo formas de ensino não-convencionais, por meio do lançamento de modalidade de ensino a distância e de atividades teórico-práticas. Ressalta-se que o artigo é resultante de pesquisa com a finalidade alternativas para a melhoria do ambiente virtual como suporte para a construção do conhecimento do aluno e uma pequena amostra do muito que se tem feito nos últimos tempos.
O segundo artigo elege a aula como objeto de reflexão, na organização do processo ensino-aprendizagem na modalidade de educação a distância (EAD). Consideram as autoras que a aula na EAD precisa ser ressignificada nesta modalidade de ensino. Tomam como evidências as experiências desenvolvidas como coordenadoras de cursos de pós-graduação na modalidade EAD, registradas em observações dos modos como os professores compreendem o papel da aula, em que tendência é de mera transposição do modelo de aula do ensino tradicional presencial para a EAD. Finalizam o artigo com a proposição de indicativos para a organização da aula nessa nova modalidade para a definição do papel dos encontros dialógicos, conhecidos como “teleaulas”, como momento para a promoção de situações desencadeadoras que mobilizem para a auto-aprendizagem.
Já o artigo proposto por Marcella Barroso focaliza pesquisa realizada sobre o ensino de artes na modalidade de EAD, seu desenvolvimento nas ações metodológicas indicando possibilidades e limites da prática de ensino.
Ainda, no campo da educação a distância Marcelo Felix Tura discute a sociedade tecnológica do século XXI exige novos parâmetros de educação, sintonizados com as enormes transformações vivenciadas em todos os setores da vida humana. Neste novo contexto, surge a Educação a Distância.
Nesta mesma perspectiva da constituição da educação a distância, o artigo de Kelly Nicolaio e Luciana Miguel apresenta esta modalidade como possibilidade da democratização do ensino. Tomam por referente a expansão da EAD, e consideram que isto promove possibilidades para a formação de indivíduos que não dispõe de tempo para cursar a modalidade de ensino presencial. Destacam que o "ensino a distância" apresenta-se como oportunidade aos interessados em dar continuidade aos seus estudos em nível superior. Neste sentido, as ferramentas tecnológicas facilitam o acesso para populações de diferentes classes sociais que se encontram localidades diversificadas do país.
Os artigos diversos abordam globalização, neoliberalismo e políticas públicas educacionais no Brasil, escrito por Marcos José Valle, professor das Faculdades Integradas do Brasil; as condições objetivas de trabalho: a construção da relação de professores universitários com o cenário acadêmico proposto por Fernanda Landolfi Maia, professora Faculdade Internacional de Curitiba; o profissional de secretariado executivo no suporte à gestão escolar escrito por Andréia Jung Guidio Ribeiro de Oliveira e Mônica Roberta Lohmann, da Faculdade Internacional de Curitiba.
Tomando como vertente de análise o atual contexto de globalização, neoliberalismo e políticas públicas educacionais no Brasil, Marcos José Valle, traz o texto resultante de sua dissertaçãode mestrado do Programa de Educação da Universidade Tuiuti do Paraná. A pesquisa analisa, por meio de pesquisa bibliográfica e do exame de dados oficiais, o Programa Universidade Para Todos – PROUNI, enquanto política pública de acesso ao ensino superior sob discurso de democratização de seu acesso. Na realização da investigação o autor considera necessário compreender o direcionamento dado às políticas educacionais no país, com base na influência, oriunda dos efeitos da globalização, das recomendações de órgãos externos como o Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio. Destaca que para a condução das políticas públicas e através da influência de interesses particulares externos e internos, resulta em alterações que em longo prazo podem tornar-se geradores de novos problemas devido à forma de subsídio, implicando diretamente na arrecadação de recursos do governo, principalmente quanto à ampliação da oferta pública e da qualidade do ensino, pesquisa e extensão.
O artigo de Fernanda Landolfi Maia, também resultante de sua dissertação de mestrado, aborda as relações existentes entre a formação continuada e a prática pedagógica de docentes universitários. Na pesquisa realizada a autora busca contribuir para reflexões acerca da prática desses professores a partir de suas trajetórias profissionais e pessoais, verificando: o que mobilizou esses professores a buscarem formação continuada na área pedagógica; em que medida a formação continuada influenciou na sua prática pedagógica; o que explica a diferença de alteração da prática entre os professores. Ressalta que as alterações de suas práticas se configuram desde a escolha pela formação continuada na área da educação, neste estudo considerada como motivações internas e externas, até as dificuldades para a efetivação dessas modificações caracterizadas pelas condições objetivas de trabalho.
Finaliza a revista o artigo de Andréia Jung Guidio Ribeiro de Oliveira e Mônica Roberta Lohmann, que focaliza uma reflexão sobre a necessidade de inserção do profissional de Secretariado Executivo nas Instituições de ensino, fortalecendo a imagem deste profissional empreendedor, que apresenta os requisitos necessários para atuar na gestão escolar como colaborador preparado e comprometido com o sistema de qualidade. O fato de estar diretamente ligado aos recursos humanos e possuir condições de trabalhar com a motivação do colaborador, melhorando o desempenho do grupo, facilita sua adaptação às necessidades da instituição, pois o trabalho desse profissional é a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados, propondo um novo modelo de gestor escolar, que aceita desafios e busca idéias para atender à demanda das tendências atuais da sociedade em que atua. Um profissional que redesenha suas características e se mostra capaz de adequar seus conhecimentos conforme as dificuldades que encontra no dia-a-dia.
Joana Paulin Romanowski
EDITORA |